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Trilhos do Lobo

 


 

poderão ser vendidos como em outros países, isto é,

pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal

E SE TIRA UM SÓ JORNAL,
DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.

Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares

dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa,
como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil

para os trabalhos de escola dos filhos... e para eles mesmos.

Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque
conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo,

onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.

Pertenço a um país:

-Onde a falta de pontualidade é um hábito;

-Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.

-Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e, depois,

reclamam do governo por não limpar os esgotos.

-Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.

-Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que

é 'muito chato ter que ler') e não há consciência nem memória
política, histórica nem económica.

-Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis

que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média

e beneficiar alguns.

Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas
podem ser 'compradas', sem se fazer qualquer exame.

-Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços,

ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada

finge que dorme para não lhe dar o lugar.

-Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro

e não para o peão.

-Um país onde fazemos muitas coisas erradas,

mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.

Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates,

melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem

corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.

Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português,

apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim,

o que me ajudou a pagar algumas dívidas.

Não. Não. Não. Já basta.

Como 'matéria prima' de um país, temos muitas coisas boas,

mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa.

Esses defeitos, essa 'CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA' congénita,

essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui

até se converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana,

mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates,

é que é real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós,
ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte...

Fico triste.

Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje,

o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima
defeituosa que, como povo, somos nós mesmos.

E não poderá fazer nada...

Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor,

mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a

erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.

Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco,

nem serve Sócrates e nem servirá o que vier.

Qual é a alternativa ?

Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei

com a força e por meio do terror ?

Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa 'outra coisa' não comece

a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados,

ou como queiram, seguiremos igualmente condenados,

igualmente estancados... igualmente abusados !

É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa

a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento
como Nação, então tudo muda...

Não esperemos acender uma vela a todos os santos,

a ver se nos mandam um messias.

Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses

nada poderá fazer.

Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.

Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos:

Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e,
francamente, somos tolerantes com o fracasso.

É a indústria da desculpa e da estupidez.

Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o responsável,

não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir)
que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco,

de desentendido.

Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O ENCONTRAREI
QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO.

AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO.

E você, o que pensa ?... MEDITE !


 

 
 

 
 

 
 

 



 

 




                                              



Fonte: http://www.blogtok.com/saidas.php?link=http://trilhosdolobo.blogtok.com/blog/14527/

Canibais no poema - 30Jul2010 14:13:34






Canibais no poema II

Comeram-me os olhos de cebolada
Agora que ceguei já vejo melhor
E isso foi só a entrada...
Vejo quem me olha na pior

Vejo quem não me sente
Filhos não são concerteza
E não estou demente
Banqueteado nesta mesa!

Do primeiro prato comeram
E lamberam-me o tacto
Pra que não sentisse de facto
De espetada me fizeram

E os poetas ditos oficiais
Chamaram os poetas loucos
E outros poetas que tais
Chamaram tantos e tão poucos

Para segundo regalo pediram
Que cantasse um galo
E logo afoitos me impediram
A que do falo-canto fosse privado

Disse-lhes: - Alto aí já!
Que me espetem no loureiro
Que comam os sentidos ainda vá
Mas não me toquem no traseiro

Provem o sabor do condenado
Deitem piripiri e folhem com chá
Roubem-me o ontem e o amanhã
Mas deixem-me ao meu bem amado

Privar-me desse último desejo
Ainda vá que não vá a desdita
Mas roubar o segredo eu vejo
É roubar o segredo da escrita

Disseram-me: - somos quem tu sabes,
Espécie de gente engalanada
De rapina bem pior do que aves
Os canibais do teu poema, quase nada…

Manjaram-me a paciência
Nos arredores da minha alma
Bem pedi perdão à clemência
mas receitaram-me calma!

E um galo cantou liberado…
E no alto de seu poleiro
A verdade rimou dado
A um poema verdadeiro.

Interpretação "mais rimada" ao Dueto. Mantém a pureza da originalidade dos seus autores. O Zé pintou com pena e o Zé escreveu com pincel.

NB.: Zés = autores

José Lourenço e José Torres

 

lenda.jpg



Fonte: http://www.blogtok.com/saidas.php?link=http://trilhosdolobo.blogtok.com/blog/12395/

Poesia de A. Gedeão

 

 

CEIA.jpg

::INTRO::



Fonte: http://www.blogtok.com/saidas.php?link=http://trilhosdolobo.blogtok.com/blog/12313/

Lenda do Galo de Barcelos - 30Jul2010 14:13:34





Em tempos que já lá vão,
Houve, em terras de Barcelos,
Crime de certa emoção
Que fez nessa ocasião
Arrepiar os cabelos !...

Andou o povo alarmado
E, de medo, nem dormia !...
Quem seria o desalmado
Que a tanto se atrevia ?...
A todos foi perguntado,
Mas ninguém, ninguém sabia !...

E um Juiz, para sossego
Desse povo espavorido,
Condena à forca um galego
Que lhe diz:

“Protesto e nego
Tal crime ter cometido;
Sou um pobre peregrino
Devoto de Sant’ Iago;
Compostela é o meu destino
Com esta fé que em mim trago.”

E a quem se achava presente,
O galeguito , coitado,
Jura encontrar-se inocente,
E ao ver a turba indiferente,
Diz então desesperado :

“Vedes esse galo assado
Que ali pôs a Providência ?...
( E aponta um cesto a seu lado )
Cantará alto e afinado
Antes de eu ser enforcado,
Provando a minha inocência !...

Que a morte , a mim , não me assusta;
Sei que um dia há-de chegar ;
E, no fundo, o que me custa
É essa sentença injusta
De morrer com falta de ar !...

E tudo riu a bom rir
Pelo insólito e inesperado,
Pois ninguém pensou ouvir
Coisa assim a um condenado

 


Patíbulo já preparado,
Eis que tocam as trombetas !...
Sobe à forca o desgraçado,
O galo estica as canetas
E desata a cantar tretas
Frente ao povo embasbacado !...

E perante o inaudito
A execução é suspensa !
Vem à forca o Juiz, aflito,
Revogar a tal sentença,
Dar o dito por não dito .

E o galego agradecia,
Comovido e com fervor,
Ao galo que lhe valia
E a Graça que recebia
Do seu Santo protector :

Sant’ Iago, eu bem sabia,
Santinho, que não deixavas
Que, por crime que outrem fazia,
Galego pagasse as favas !...

E arranca caminhos fora
Té Compostela vizinha,
Coração mais livre agora,
Mais livre que uma andorinha !...

Do milagre recebido
Não se esqueceu o Romeiro,
Que algum tempo decorrido
Erguia aqui um cruzeiro .

Cruzeiro que simboliza
O mundo de pesadelos
Que um “ Galego da Galiza “
Vivera cá em Barcelos !... Em tempos que já lá vão,
Houve, em terras de Barcelos,
Crime de certa emoção
Que fez nessa ocasião
Arrepiar os cabelos !...

Andou o povo alarmado
E, de medo, nem dormia !...
Quem seria o desalmado
Que a tanto se atrevia ?...
A todos foi perguntado,
Mas ninguém, ninguém sabia !...

E um Juiz, para sossego
Desse povo espavorido,
Condena à forca um galego
Que lhe diz:

“Protesto e nego
Tal crime ter cometido;
Sou um pobre peregrino
Devoto de Sant’ Iago;
Compostela é o meu destino
Com esta fé que em mim trago.”

E a quem se achava presente,
O galeguito , coitado,
Jura encontrar-se inocente,
E ao ver a turba indiferente,
Diz então desesperado :

“Vedes esse galo assado
Que ali pôs a Providência ?...
( E aponta um cesto a seu lado )
Cantará alto e afinado
Antes de eu ser enforcado,
Provando a minha inocência !...

Que a morte , a mim , não me assusta;
Sei que um dia há-de chegar ;
E, no fundo, o que me custa
É essa sentença injusta
De morrer com falta de ar !...

E tudo riu a bom rir
Pelo insólito e inesperado,
Pois ninguém pensou ouvir
Coisa assim a um condenado

 


Patíbulo já preparado,
Eis que tocam as trombetas !...
Sobe à forca o desgraçado,
O galo estica as canetas
E desata a cantar tretas
Frente ao povo embasbacado !...

E perante o inaudito
A execução é suspensa !
Vem à forca o Juiz, aflito,
Revogar a tal sentença,
Dar o dito por não dito .

E o galego agradecia,
Comovido e com fervor,
Ao galo que lhe valia
E a Graça que recebia
Do seu Santo protector :

Sant’ Iago, eu bem sabia,
Santinho, que não deixavas
Que, por crime que outrem fazia,
Galego pagasse as favas !...

E arranca caminhos fora
Té Compostela vizinha,
Coração mais livre agora,
Mais livre que uma andorinha !...

Do milagre recebido
Não se esqueceu o Romeiro,
Que algum tempo decorrido
Erguia aqui um cruzeiro .

Cruzeiro que simboliza
O mundo de pesadelos
Que um “ Galego da Galiza “
Vivera cá em Barcelos !...

::INTRO::



Fonte: http://www.blogtok.com/saidas.php?link=http://trilhosdolobo.blogtok.com/blog/12311/